segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Retro(a)cesso

As raízes dos meus pés
Me aprisionam ao presente
Participo de um jogo
Onde venço a ferro e fogo
A imaginação doente

As raízes são correntes
Que a alma não enxerga
Ligam o solo ao meu ventre
Num futuro sempre ausente
Que o passado não alega

Minhas mãos tateiam o corpo
Que o vento desenhou
Sonho a cada dez minutos
Despertando dos meus surtos
Num começo que acabou

Nessa busca por um solo
Onde eu possa me erguer
Sou levado por meus passos
Compassados em pedaços
Aonde não quero viver

A vontade é dualista
Régua da indecisão
Verdade que mente em mente
Enganando o que se sente
Na vista e no coração

Me desprendo desse chão
Que há muito me detém
Num suspiro empoeirado
De outros sonhos enganados
Dos quais faço-me refém

De raízes a sementes
Os meus pés caminham sós
E em terras permanentes
Rego agora meus delírios
Que suprimem minha voz

Já caminho em direção
Do caminho que perdi
Vou em frente ao retrocesso
Reinicio um processo
Que um dia desisti.

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